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As artes de um mestre-cuca de sangue italiano
O
sucesso de Píer Paolo Picchi, um dos grandes nomes da nova
geração da gastronomia brasileira
Quando chegou a São Paulo vindo de uma temporada de sete
anos na Europa, o chef Píer Paolo Picchi deu o que falar.
Primeiro porque ele assumiu , aos 27 anos , a cozinha do Emiliano
, um dos hotéis mais luxuosos da cidade. Além de não
decepcionar , Píer surpreendeu , revolucionando a cozinha
do Emiliano e subvertendo o paladar dos paulistanos com suas receitas,
sabores e texturas.
Depois de deixar sua marca no cinco estrelas , e no extinto Café
Antique, Píer aterrisou suas caçarolas no novo Salvatore,
no bairro do Itaim Bibi. Pier continua dando o que falar. Ex- estudante
de administração de hotelaria, ele estagiou por algum
tempo no Filomena -ao lado de Alex Atala - e depois partiu com a
cara e a coragem para a Europa.
Na Itália aprendeu técnicas clássicas em restaurantes
como o Villa Roncali. Na Espanha passou pelas cozinhas do La Broche
e Mugaritz , em San Sebastian. A mistura das culturas dos dois países
formou um estilo peculiar. Píer não tem receio em
desconstruir pratos clássicos italianos como o Agnolotti
de Pesto. Pelas mãos dele, a receita ganha um sorbet de tomate.
À Vieira grelhada com tinta de lula , ele acrescentou sorvete
de azeite a alho.
Para acertar um prato , Píer costuma fazer inúmeros
testes. Segundo ele, de cada dez experiências, apenas uma
dá certo. E para entrar no cardápio, o prato precisa
agradar principalmente o cozinheiro. Sim, ele adora comer.
Indagado a respeito da principal característica de sua cozinha,
Píer diz que a base é italiana, mas procura buscar
a técnica espanhola (como o cozimento à baixa temperatura)
e a técnica da espuma. "Minha gastronomia é contemporânea,
mas estou sempre procurando criar novos pratos, com novos sabores,
aromas e texturas", conclui.

Carioca com sotaque francês
Pergunte
a qualquer carioca gourmet o endereço de um bom restaurante
francês no Rio de Janeiro e as chances são grandes
da dica estar em Botafogo, na zona sul da cidade. É ali,
numa casa da rua Visconde de Caravelas, que desde 1999 a carioca
Flávia Quaresma pilota as caçarolas do Carême,
um bistrô que entrou para o mapa da boa gastronomia da cidade.
O nome é uma homenagem a Antoine Marie Carême, o cozinheiro
dos reis, o chef do Século XVII que inventou o bem comer
como o conhecemos hoje
Dona de um currículo respeitável, Flávia guarda
canudos de cursos de enologia, pâtisserie, boulangerie e sobretudo
o título de graduação pela escola Le Cordon
Bleu, em Paris. Antes de saber o que queria no, entanto, ela chamou
a atenção da família com um comportamento,
repleto de pequenas manias, que já fazia perceber a vocação.
Na adolescência, Flávia trocava qualquer presente de
aniversário dos pais pela possibilidade de sair para jantar.
Nas festas das amigas, era sempre convocada a preparar o bolo. Mas
foi nos livros de receita da avó que Flávia descobriu
o fascínio pela cozinha francesa. Mesmo assim, ela ainda
tentou despistar o que parecia evidente fazendo cursos de medicina
e jornalismo. Pura perda de tempo. Depois que foi para França
estudar o idioma de Molière, ela passou pela Cordon Bleu
e por restaurantes em Paris, Tel Aviv e México. De volta
ao Brasil, Flávia faturou os prêmios de Chefe do Ano
e Chefe revelação em 1999 , 2000 e 20002. Seu Carême
ficou entre os melhores do ano em diversas categorias em 1999, 2002,
2003, 2004 e é desde 2001 "quatro estrelas" no
guia de Danúsia Bárbara. Há dois anos, Flávia
também revolucionou a "comida de avião"
ao criar menus para a First Class e a Business Class da Varig.
Hoje , aos 39 anos, ela comanda, além do Carême, um
bufê e o programa "Mesa pra Dois", ao lado do chef
Alex Atala no canal fechado GNT. No Carême, Flávia
conquista os clientes não só pelos pratos, mas pela
sua simpatia. Vai sempre de mesa em mesa perguntar aos clientes
o que acharam da refeição. Assim, recolhe críticas
e elogios que serão levados de volta para a cozinha. Flávia
acha que restaurante é um laboratório e adora lidar
com os personagens que circulam ali. "Eu gosto de gente, acho
isso a coisa mais importante para o cozinheiro" diz ela "Quando
você sai da cozinha para ir ao salão está ali
para escutar elogios e críticas". O rigor de Flávia
com o que é servido no restaurante é o mesmo quando
o assunto passa pelos seu próprios hábitos alimentares.
Fast food , nem pensar. Para ela, comida tem que ter um temperinho
da alma. "Adoro hambúrguer, mas fast food eu não
como", resume.
Carême Bistrô :: Rua Visconde de Caravelas ,
113 - Botafogo
(21) 2537 2274 | 2226 0085

Marc Ehrler :: Comendo nas nuvens...
Quem
disse que comida de avião é ruim? Bom, dependendo
de quem estiver nas caçarolas da companhia aérea,
é ruim mesmo, com aquele gostinho de plástico. O chef
francês Marc Ehrler foi convidado pela TAM, para revolucionar
essa história. Quem tiver a sorte de embarcar na primeira
classe de um vôo de Miami para São Paulo, logo entenderá
como se deu essa mudança.
Marc nasceu em Antibes, na Riviera Francesa e foi pupilo de papas
da cozinha como Alain Ducasse, André Daguin e Alan Barale.
Mas foi com a família, contudo, que aprendeu desde cedo as
artes da gastronomia. Cedo percebeu que a cozinha era a parte mais
importante da casa. Para Marc, a comida é uma paixão.
Como no filme "O tempero da vida", Marc assistia o pai
cozinhar para os amigos . Na visão do menino, o pai era "mágico"
e "cientista". Assim, tal qual o personagem da película
grega, Marc cresceu vendo a comida como uma forma mágica
de criar relacionamentos.
Por muito tempo, a culinária que o atraia era uma comida
mais leve, baseada em ingredientes frescos. Mas, depois de uma temporada
no Japão, ele descobriu a combinação do Mediterrâneo
com o estilo japonês. Marc elege a trufa negra como ingrediente
favorito. Trata a iguaria como diamante a cada inverno quando elas
chegam ao Loews Miami Beach Hotel ,onde mora e trabalha.
Seu estilo de cozinha remete à Provença, no sul da
França, perto da Itália, influenciado pelas andanças
pelo Caribe, América Latina, Ásia e agora, pelos Estados
Unidos.
Para criar o cardápio dos passageiros que voam de Miami
para São Paulo, ele usou principalmente a preocupação
com o bem estar no ar. Foi, ao mesmo tempo, nutricionista e chef.
A comida é leve e equilibrada com bons carboidratos, a quantidade
certa de proteínas e de fibras naturais. Outra preocupação
foi fugir dos alimentos processados e do modelo típico de
comida de avião. Par resolver a questão, trabalhou
com uma equipe treinada para reproduzir os pratos como foram elaborados
em terra. Para acompanhar o cardápio , a bebida deve ser
a mesma, seja no céu, seja em qualquer solo do mundo, ou
no ar: a champanhe.
Leia também:
Bell Coelho:: Lugar da mulher é sim na cozinha
Ferran
Adrià :: O reiventor da gastronomia
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